quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Fellipe Redó

BLOG DO CUCA - Para falarmos de trajetória. Você coordenou a 5ª Bienal de Cultura da UNE, no Rio e dirigiu o projeto de cultura da UEE - RJ no último período.  O que essas experiências significaram para o trabalho de cultura do movimento estudantil e para você, pessoalmente?

FELLIPE REDÓ - Ter sido coordenador da área de música da V Bienal foi uma das experiências mais enriquecedoras e maravilhosas que tive durante minha militância cultural e estudantil.
Isso porque tive oportunidade de propor e de me expressar na programação cultural, me relacionar com estudantes, artistas e intelectuais do meio. E principalmente, ao final da Bienal durante nossa culturata, retomarmos a sede da UNE. Acho que posso dividir minha vida, sob alguns aspectos, claro, entre antes e depois da retomada do Terreno da UNE. Sou/somos herdeiros e também agentes desse momendo histórico.
Ter sido Diretor de Cultura da UEE/RJ e coordenador do  CUCA da UNE / RJ na gestão passada acho que me credenciou e me deu maturidade pra assumir esse novo desafio na UNE.
 
BLOG DO CUCA - A partir de um amplo processo de consulta pública, o Brasil deve mesmo se acostumar com uma nova regulamentação do financiamento da cultura. A Nova Lei de Fomento substitui a Lei Rouanet, vigente desde 1991. A quem essa Nova Lei beneficia e de que lado a UNE está?

FELLIPE REDÓ - É preciso que se diga que o financiamento via isenção fiscal ( modelo Rouanet) não deixará de acontecer. Porém, esta não será a única forma e critério de financiamento como é mojoritariamente hoje. A UNE deve estar do lado do  fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura - FNC pela consolidação das Políticas Públicas de Cultura, a exemplo dos Pontos de Cultura e o programa Cultura Viva.
É claro que existem vários interesses e conflitos em torno da Nova Lei, e que a UNE se movimentará no sentido de pressionar o Congresso Nacional, onde a lei será votada em breve,  para a aprovação destas bandeiras que fortaleçam a democratização dos produtos e bens culturais.

BLOG DO CUCA - A UNE participa do programa Cultura Viva do MinC, com 10 pontos de cultura. Esse programa gerou um movimento social em torno da cultura, que reúne seus fóruns regularmente, discute suas pautas, elege sua coordenação, etc. Que balanço você faz sobre a participação do CUCA da UNE no movimento dos pontos de cultura e com que perspectiva o CUCA deve atuar nessa rede, no próximo período?

FELLIPE REDÓ - Os CUCAs têm participado ativamente da construção dessa rede cultural e marcando presença nos fóruns e encontros como é o caso da TEIA 2007 e 2008, indicando, inclusive seus representantes junto ao Fórum Nacional como é o caso do nosso coordenador nacional Alexandre Santini. 
Acho que o CUCA deverá cada vez mais se enraizar nessa rede, propondo novos pontos de cultura e fortalecendo o que é fundamental no meio cultural e artístico de nosso País que é o debate em torno de um movimento social/cultural articulado em torno de bandeiras comuns aos movimentos.

BLOG DO CUCA - Redó, a UNE é apoiadora de uma série de medidas democratizadoras do campo da cultura como o próprio programa Cultura Viva, a Nova Lei de Fometo e a mais recente lei, que insitui o vale-cultura. Teve quem se opôs a essas medidas, como ainda têm. Esse ano acontece a primeira Conferência Nacional de Comunicação, que para muitos será o palco do grande debate sobre a democratização dos meios de comunicação. Já têm setores contrários, inclusive boicotando a agenda da conferência. Quem são eles, quais os objetivos e qual será a postura da UNE diante desses setores?   

FELLIPE REDÓ - Os inimigos da Comunicação são hoje justamente quem detém os seus grandes veículos de informação, e seus "ex funcionarios" indicados junto ao ministério das comunicações. Para termos uma noção do disparate, apesar de já termos data indicativa para a Conferência, ainda não temos o regulamento para a participação dos movimentos sociais nela.
A UNE acha que o debate em torno da democratização, isso quer dizer novos meios e marcos regulatórios para a fruição da comunicação e da informação, são fundamentais e estratégicos para nossa automia e sentido de cidadania.

BLOG DO CUCA - A UNE já realizou seis edições da sua Bienal de Cultura. Você certamente será o coordenador da sétima. Diante da experiência acumulada nas seis primeiras, o que deve fazer parte do conteúdo da próxima Bienal da UNE. Além disso, o que você destacaria de mais importante do calendário cultural do País e que fará parte da agenda da UNE? 

FELLIPE REDÓ - Tenho problematizado bastante sobre a relação desenvolvida entre os artistas, intelectuais e participantes durante nossas Bienais. A forma e o conteúdo são intrínsecos a esse movimento.
Quanto a outra pergunta. Bem, teremos uma agenda cheia nessa gestão e ainda estou na fase de planejamento.
Mas, ressaltaria estes temas anteriormente tratados e o nosso próximo 10° Seminário Nacional dos CUCAs , que acontecerá no Rio de Janerio para o mês de outubro.
Estão todos convidados.

BLOG DO CUCA - Boa sorte para você e para a UNE!

FELLIPE REDÓ - Muito obrigado. Conto com a rede dos CUCAs e com o combativo Movimento Estudantil. 
Uma citação que tenho levado adiante; "cabeça nas alturas, pés no chão e mãos à obra. "



quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Encontro Nacional dos Estudantes de Artes

A capital da Bahia vai sediar o XIII ENEARTE

Realizado pela primeira vez na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 1988, o ENEARTE chega a sua décima terceira edição, com o tema Atitudes Artísticas: Radical nas Idéias, Corajosa nas Ações. Programado para acontecer na UFBA, em Salvador, entre os dias 21 e 27 de setembro, o  XIII ENEARTE pretende promover o diálogo entre as diversas linguagens artísticas - circo, música, teatro, dança, artes visuais, audio visual, literatura, museologia, arquitetura, produção cultural - aumentando dessse modo, a valorização e o fomento das artes no espaço acadêmico, por meio de debates e trabalhos que integrem a arte, educação, sociedade, política, meio ambiente, pluralismo, publicidade, etc. Além disso, objetiva criar extensos panoramas artístico-culturais que consigam comunicar e expressar idéias autônomas e humanizadas.

A FENEARTE - Federação Nacional dos Estudantes de Artes é realizadora do ENEARTE, e este ano conta com o apoio do Centro Acadêmico da Escola de Música da UFBA, (CAEMUS) na realização do evento, em Salvador .

O movimento pretende promover um aprofundamento do entendimento sobre a formação do povo brasileiro, além de fazer registros e catalogar manifestações culturais e histórico-artísticas, bem como a diversidade da produção contemporânea.

Estima-se que 1500 estudantes de todas as partes do Brasil participem do ENEARTE. Embora realizado por acadêmicos das artes, o encontro tem a perspectiva de envolver também um conjunto diverso de pessoas que não necessariamente produzem no ambiente universitário, mas que circulam pelos principais centros de efervescência cultural da cidade de Salvador. Para isso haverá uma divulgação mais abrangente e intensa da programação nesses locais.

mais informações

MANIFESTO

Por um marco regulatório específico da atividade cultural

O momento é agora !!!

As chamadas notas de favor serviram como o principal objeto de matéria que ocupou a capa e as principais páginas do jornal O Globo, em sua edição de domingo, 02 de agosto de 2009. A matéria revela o que todos nós, artistas, produtores, coletivos, empresas, organizações e trabalhadores dos diversos elos da cadeia produtiva da cultura já sabíamos.

O mesmo veículo de comunicação assumiu na reportagem que, empresas a ele associadas, se valeram deste expediente, abrindo, assim, o que talvez seja a melhor oportunidade para que governos, sociedade, grandes, médios e pequenos produtores, artistas e trabalhadores da cultura, se sentem à mesa e mergulhem num amplo debate focado na construção de um marco regulatório específico das suas atividades. 

Assumimos aqui à responsabilidade para a qual, o cantor e fundador da CUFA, MV Bill, em artigo publicado na mesma edição de O Globo, chamou a atenção: iniciar o debate, visando alcançar não só as questões tributárias e fiscais, mas as novas relações de trabalho geradas pela especificidade das atividades de artistas e demais profissionais inseridos nas cadeias produtivas da cultura.

Consideramos e valorizamos a Consolidação das Leis do Trabalho como uma grande conquista para a classe trabalhadora, mas ancorados em nossas experiências, podemos afirmar que os novos tempos e as novas possibilidades produtivas abertas pela sociedade da criatividade exigem, especialmente, no campo das nossas atividades, repensar as relações de trabalho e, com este manifesto, afirmamos ser esta, também, uma discussão imperiosa da produção cultural e artística, geradora das condições objetivas para ela seja vista e apropriada como vetor de desenvolvimento.

Subscrevem este manifesto, os sujeitos produtivos da cultura dispostos a assumir de verdade um lugar nesta mesa de debate. O fazemos porque temos a certeza de que entrar no armário e buscar o anonimato neste momento, será amargar, no futuro próximo, a responsabilidade de não usar a "denúncia" de um fato que alcança a todos, como o elemento motivacional que faltava para "botar o dedo na ferida da cultura brasileira", com o objetivo de encontrar o remédio certo para curá-la, colocando-a e a todos nós, em condições regulares de um diálogo formal com a legislação tributária, fiscal e trabalhista.

Não se tratar de privilégios, como os que historicamente, foram e continuam sendo oferecidos para um conjunto de atividades produtivas na indústria, no comércio, no serviço, no agronegócio e, em outras nem tanto produtivas como o mercado financeiro. Mas disputamos aqui, sim, um tratamento diferenciado e adequado aos tipos de atividades que de dão forma a produção cultural e artística, que possibilite o cumprimento de nossas obrigações fiscais e tributárias, assim como gere o efetivo acesso a direitos e benefícios sociais a milhares de trabalhadores de arte.

Estamos dispostos a construir com a participação efetiva, do Poder Executivo, Legislativo e com os órgãos de controle os mecanismos que fortaleçam a atividade produtiva no campo da cultura como vetor de desenvolvimento do Brasil. Somos capazes de ajudar na construção de novos paradigmas de desenvolvimento sustentáveis afinal nossa principal matéria prima e capital é a criatividade humana.

Neste manifesto, reconhecemos os esforços do Governo Federal que, nos últimos anos, especialmente, no período marcado pela gestão do ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil e do atual Ministro Juca Ferreira, possibilitaram vivenciarmos importantes processos para a atividade cultural brasileira, entre eles, a ampliação do financiamento público direto, com editais abertos à concorrência pública; com novos desenhos das políticas de investimentos social e cultural efetuados pelas empresas estatais, também através de editais públicos e mecanismos transparentes de acesso aos recursos de patrocínio que elas vêm destinando para estas áreas; assim como a adoção de programas, hoje internacionalmente reconhecidos por organizações como a UNESCO, caso em que se inscreve o Programa Cultura Viva, que revelou e reconheceu como Pontos de Cultura, sujeitos produtivos da arte e cultura nos segmentos, estratos e territórios populares, investindo neles recursos que potencializam suas capacidades para articular as dimensões simbólica, cidadã e econômica do fazer artístico.

Todos, portanto, que aqui subscrevem este manifesto, valorizam a atual período de consolidação de formulação, execução e consolidação de políticas públicas para a cultura, mas concordam que, ainda, há um temário pendente de abordagem e reflexão, como este, que vem a pauta com força total na matéria de O Globo - como operar recursos públicos e/ou privados no mercado de cultura, lazer e entretenimento, que compõem pequenos, médios e grandes orçamentos, a luz de uma carga tributária e fiscal, que passa longe da política pública de cultura que, acertadamente, se pretende para o Brasil?

Filiamo-nos a corrente daquele que defendem o Plano Nacional de Cultura, que lança o país (ainda que tardiamente, ou seja, 25 anos depois que países como a Inglaterra criou estruturas de fomento e desenvolvimento da atividade criativa como fonte geradora de riquezas e desenvolvimento), no desafio de visibilizar, valorizar e apropriar a cultura como segmento estratégico do desenvolvimento econômico, social e humano, ancorado em números que colocam as atividades produtivas que tem como principal capital a criatividade humana, entre as que mais crescem em importância no PIB mundial, superando em pelo menos 4% todos os outros segmentos da atividade econômica, assim como as gestões para a sua consolidação, discutem de maneira muito tímida, ainda, o diálogo entre Cultura e Mercado.

Mas, também, colocamos em questão o fato de que ao mesmo passo em que o Ministério da Cultura do Brasil tenha colocado o bonde no trilho certo, lançando o debate de Cultura e Desenvolvimento, a equipe econômica do governo impeça que o bonde pare nas estações das cadeias produtivas do mercado cultural. Vide a recente elevação da carga tributária das empresas de produção cultural que foram retiradas do Sistema Simples e dos pequenos trabalhadores, artistas, produtores e fazedores de arte, essenciais às cadeias produtivas de pequenos, médios e grandes orçamentos, que não foram alcançados pelos benefícios da Lei Complementar n. 128, de 19 de dezembro de 2008, lei esta que, entre outras disposições, possibilita a criação e regulamentação de um novo sujeito produtivo formal denominado Empreendedor Individual que, em parte, resolveria algumas das questões abordadas por este manifesto.

De acordo com informações postadas no "Portal do Empreendedor" do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, milhares de trabalhadores que hoje exercem suas atividades de maneira informal, se optarem pela legalização transformando-se em um Empreendedor Individual, poderão ter acesso a benefícios como: cobertura previdenciária; contratação de funcionário com menor custo; isenção de taxas para registro da empresa; ausência de burocracia; acesso a serviços bancários, inclusive crédito; compra e venda em conjunto; redução da carga tributária; controles muito simplificados; emissão de alvará pela internet; cidadania; benefícios governamentais; assessoria gratuita; apoio técnico do SEBRAE na organização do negócio; possibilidade de crescimento como empreendedor; e segurança jurídica. Além disso, é claro, o Estado em seus três níveis de gestão (municipal, estadual e federal) irão arrecadar de forma justa e humanizada as devidas contribuições e impostos destes trabalhadores, ampliando (em escala) a sua receita para realizar investimentos e arcar com as despesas das funções de governo. Este é um jogo legal!!! Um jogo que todo mundo ganha!!! Não é Estado e Sociedade se colocando em campos opostos, mas construindo alternativas para a formalização de inúmeras atividades produtivas, exercidas por hoje cerca de 11 milhões de trabalhadores em todo o Brasil, segundo a Agência Brasileira de Notícias.

Curiosamente, embora os mágicos, instrutores de música, instrutores de artes cênicas, instrutores de cultura em geral e promotores de eventos, sejam alcançados pelos benefícios da referida Lei, as atividades relacionadas à produção cultural e artística e produção cinematográfica e de artes cênicas, foram textualmente excluídas dos benefícios da Lei, impossibilitando aos trabalhadores que atuam nos diversos elos das cadeias produção da cultura, entre os quais aqueles apontado pelo artigo do "Produtor Cultural que pediu para não ser identificado", publicado na matéria do jornal abordada nestas linhas, como contra-regras, camareiras, operadores de luz, aderecistas, e aí incluímos os diretores, atores, roteiristas, assistentes de direção, iluminadores, etc, etc, etc.

É impossível dizer quantos, mas seguramente alguns milhares do outros brasileiros e brasileiras que exercem estas atividades ampliariam bastante os 11 milhões anunciados pelo Governo, entre os quais parte dos que assinam o presente manifesto.

Se por um lado pode estar aí incutida, a preocupação com a precarização das relações de trabalho, por outro estão claras as dificuldades de se criarem vínculos trabalhistas com estes profissionais pelo caráter pontual da utilização da sua mão-de-obra, bem como a difícil decisão do contratante de utilizar meios remuneratórios como através dos chamados rpa´s que suscitam vínculos e despesas onerosas tanto para eles, quanto para o trabalhador de cultura que muitas das vezes é o primeiro a sugerir a remuneração pelas chamadas notas de favor, porque vamos lá e viemos cá, a retenção do IRPF é uma mordida desproporcional na renda de nossas atividades hoje que, pelo caráter descontinuado, nos colocam sempre na certeza de não saber se a teremos daqui os próximos meses.

Não aceitamos também a tentativa de criminalização das nossas atividades pelos especialistas, que com suas avaliações frias, prestam um desserviço à cultura brasileira. Deles, esperamos, diante de um quadro como este, ajudar na construção de um marco regulatório específico para a atividade artística e cultural. Estamos certos de que a tipificação de crime contra ordem tributária é um caminho fácil para encontrar alguns poucos bodes expiatórios e coloca-los na sala, sem enfrentar com coragem, determinação e verdade, uma crise estrutural que coloca todo o setor cultural (empresas, organizações e profissionais da arte) no limbo da busca de jeitinhos para se viabilizarem ante a falta de um marco regulatório específico pelo qual propugnamos.

A verdade, embora, muitos não venham a público assumir a sua parcela de responsabilidade nesta discussão, é que empresas públicas e privadas, pessoas físicas e jurídicas dos mais diferentes setores da atividade econômica, o tempo inteiro pensam e constroem estratégias visando reduzir os impactos da carga tributária, fruto de uma prometida reforma tributária que nunca chega. Esta aí revelada a estratégia das notas de favor apenas para confirmar uma prática, com certeza adotada por muitos outros setores da atividade produtiva, estratégia esta validada e, de certa maneira estimulada pelos próprios órgãos públicos gestores da atividade cultural, basta avaliar alguns editais públicos, como é o caso de editais da FUNARTE - Fundação Nacional de Arte do Ministério da Cultura que ao dar a possibilidade à artistas (como pessoas físicas) de concorrerem ao financiamento, textualmente, reconhecem a possibilidade de serem representados por pessoas jurídicas que, assumam a responsabilidade solidária pela execução das obrigações.

Por fim e não menos importante é dizer que a atividade cultural, além de importante vetor de desenvolvimento é construtora de identidades, pertencimentos e meios, especialmente, nos últimos anos de inserção sócio-produtiva, particularmente de jovens, os que mais sofrem as dificuldades para encontrar espaços no mercado formal de trabalho cada vez mais estreito.

O debate está posto!!! A matéria de O Globo, não conseguimos ver, senão como positiva e como o ponta pé inicial de um amplo debate, sem hipocrisias e demagogias, mas o debate responsável e consequente para de vez por todas tornar os sujeitos produtivos da arte visíveis à luz da legalidade, mas um tipo de legalidade adequada à sua atividade, com consequências efetivas na afirmação e apropriação da cultura como campo estratégico para o desenvolvimento social, humano e econômico do Brasil.

E nestes termos, os subscritores, propõem aos Governos Federal, Estaduais e Municipais, bem como aos Poderes Legislativos, um debate sobre as questões trazidas por este manifesto, assumindo com eles o desafio de construir a saída desta crise estrutural da atividade produtiva na cultura.

04 de agosto de 2009

Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou que o governo federal mantém o cronograma da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), a ser realizada entre 1º e 3 de dezembro deste ano. O anúncio foi feito pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, após conversa com o presidente na terça-feira.

De acordo com o ministro, o contingenciamento dos R$ 8,2 milhões para a realização da Confecom, confirmado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, deverá ser repassado ao Ministério das Comunicações nos próximos dias.

Dessa forma, segundo Hélio Costa, o problema de falta de recursos para a realização da conferência, depois do corte de mais de R$ 6 milhões no orçamento, está resolvido.

O ministro falou também da reunião que manteve com os ministros Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, e Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República, uma conversa para acertar o encaminhamento que será dado à elaboração do regimento interno da Confecom. “Acabamos de acertar o entendimento do regimento interno e podemos voltar com as atividades”, disse.

Hélio Costa comentou que a partir da próxima terça-feira, 21 de julho, o grupo responsável pela elaboração do documento retomará o trabalho para que ele seja apresentado, analisado e aprovado o quanto antes.


Banda Larga Rural

O ministro afirmou ainda que a redação final para da proposta da telefonia rural para a faixa de 450 MHz já foi analisada e que a portaria pode sair a qualquer momento. “É prioridade do governo implementar a banda larga rural o mais rápido possível para que beneficie a quem realmente precisa”, disse.


CUCA Cinejornal Especial "Filhos da Democracia"

O Cinejornal Especial "Filhos da Democracia", lançado no 51º Congresso da UNE e realizado pela TV CUCA já obteve cerca de 7500 acessos na internet.
Filhos da Democracia retrata a história recente do movimento estudantil e apresenta um panorama atual das lutas sociais que efervesceram o país nos últimos dois anos.
Muitos são os temas contidos no cuca cinejornal especial. Sob compassos musicais que se alteram de acordo com a intensidade de cada tema e de cada momento, as cenas retratam a grande expedição da UNE na sua caravana pelos 27 estados do país, e por 41 universidades, discutindo educação, cultura e saúde, a Culturata da 6ª Bienal, em salvador, as jornadas de lutas da UNE e da UBES que moblizaram milhares no país, como no Rio e em São Paulo, a Conferência Nacional de Juventude, o Fórum Social Mundial, o Cortejo dos Pontos de Cultura, reunidos na TEIA 2009, em Brasília, o ato de lançamento do projeto da nova sede, no Rio e o encontro de estudantes bolsistas do ProUni.

O Brasil em debate

Nesta edição, a TV CUCA realçou alguns dos temas mais importantes em pauta no Brasil, como o direito à cultura e sua regulamentação. A luta pela garantia da meia entrada para o estudante e sua resistência aos setores ligados à grande indústria cultural, que defendem o estabelecimento de cotas que reduzem e limitam em 40% a disponibilidade de ingressos para os portadores deste direito, mereceram destaque.
O direito à educação foi um tema muito defendido pela UNE nos últimos dois anos e é assunto em Filhos da Democracia. A organização dos estudantes do ProUni e a defesa da reestruturação e expansão da universidade pública é ao mesmo tempo, um marco vitorioso do movimento estudantil e um fator de polêmica. Debatendo a universidade dentro e fora dela, a UNE encerrou sua gestão no 51ª congresso em clima de dever cumprido. Neste cinejornal, a ex-presidente da UNE, Lúcia Stumpf fala da importante vitória obtida na discussão da Reforma Universitária, com a formulação do projeto que tornou matéria principal em discussão no Congresso Nacional sobre a Reforma do Ensino Superior.

Participação

O recorte principal do CUCA Cinejornal Especial "Filhos da Democracia" diz respeito à participação. Ela está contida tanto nas cenas que relatam momentos mais recentes e de forma muito marcante como na participação de indígenas nos encontros que discutem temas de importância nacional, como também aparece em cenas de décadas atrás, que mostram a clandestina UNE resistindo à ditadura e as assembléias que reuniam mais de cem mil trabalhadores nos movimentos grevistas do ABC, liderados por Lula.

Direito à comunicação

A TV CUCA realizou o Cinejornal "Filhos da Democracia" porque acredita que a história deve ser contada sobretudo pelos seus autênticos personagens. Nossa luta também é pelo direito à comunicação. No Brasil de hoje, ainda vivemos sob forte controle de setores antigos e conservadores que, na contramão do progresso democrático do país, negam o direito à informação, utilizam suas poderosas ferramentas de comunicação de massa para difundir o alarmismo em torno dos graves problemas sociais, escandalizar as institiuições políticas, criminalizar os movimentos sociais e esconder seus famigerados interesses, que as fazem enxergar nos veículos democráticos, apenas o que carregam em si mesmo.
Acovardados diante do desafio de enfrentar amplos setotes sociais na Conferência Nacional de Comunicação, os barões da grande mídia, insatisfeitos com o nefasto boicote anunciado à Conferência de Comunicação resolveram se solidarizar aos golpistas midiáticos da Venezuela. Tratam do problema da Venezuela como se não tivessem problema para resolver no Brasil. Saibam os barões que o problema da mídia golpista da Venezuela, é dos venezuelanos, e que as duas derrotas do setor midiático da Venezuela demonstrou que sob comando dos nossos vizinhos esse problema está em boas mãos.
A batalha que está em curso no Brasil exige ampla união das forças democráticas do país em torno da democratização dos meios de comunicação. A realização da Conferência Nacional de Comunicação é uma necessidade presente para o aprofundamento das mudanças sociais, econômicas e culturais que o povo brasileiro reivindica.

Assista a Filhos da Democracia

terça-feira, 4 de agosto de 2009

FNDC defende Conferência e sistema público de radiodifusão

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, reunido em sua XV Plenária Nacional, no Rio de Janeiro, nos dias 31 de julho e 1º de agosto de 2009, com a participação de representantes de entidades e movimentos sociais de todo o país resolve:

- reafirmar a importância fundamental da Iª. Conferência Nacional de Comunicação para o futuro da nação brasileira e da sua democracia;


- ratificar a sua posição em defesa de uma Conferência com a participação do governo, de representantes da sociedade civil, movimentos sociais e empresários;

- reivindicar a continuidade do processo de realização dessa Conferência, instando o Executivo Federal a garantir-lhe as condições materiais e políticas necessárias;

- repudiar as manifestações do jornal Folha de S. Paulo que, em editorial, atacou o sistema público de radiodifusão, reclamando o fechamento da TV Brasil;

- reafirmar sua posição em defesa de um sistema público de radiodifusão, condição basilar para existência de uma comunicação democrática;

- alertar a nação sobre o movimento de forças conservadoras contra a realização da Conferência e a democratização da comunicação, cujos sinais já podem ser identificados na posição do referido jornal e na resistência dos empresários do setor em participar da Conferência;

- apelar ao Governo Federal e às instituições democráticas do Brasil para que se mobilizem em defesa da Conferência Nacional de Comunicação, repudiando as iniciativas contrárias à mesma e tomando medidas concretas para a sua realização.

Rio de Janeiro, 1º de agosto de 2009.

Coordenação Executiva do FNDC — Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – Abraço; Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões – Aneate; Central Única dos Trabalhadores – CUT; Conselho Federal de Psicologia – CFP; Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão – Fitert; Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj.
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
União Geral dos Trabalhadores – UGT
Federação Nacional dos Empregados em Empresas e Órgãos Públicos e Privados de Processamento de Dados – Fenadados
Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União – Fenajufe
Associação das Rádios Públicas do Brasil – Arpub
Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo – FNPJ
Comitê pela Democratização da Comunicação da Bahia
Comitê pela Democratização da Comunicação da Região Sisaleira da Bahia
Comitê pela Democratização da Comunicação de Minas Gerais
Comitê pela Democratização da Comunicação de Santa Catarina
Comitê pela Democratização da Comunicação do Ceará
Comitê pela Democratização da Comunicação do Distrito Federal
Comitê pela Democratização da Comunicação do Mato Grosso
Comitê pela Democratização da Comunicação do Mato Grosso do Sul
Comitê pela Democratização da Comunicação do Rio Grande do Sul
Comitê pela Democratização da Comunicação do Vale do Sinos e do Paranhana – RS

Debate no Vermelho

Na próxima sexta-feira, 7 de agosto, na rua Rego Freitas, 192, próximo ao metrô república, o portal Vermelho promoverá um debate instigante. Como enfrentar o "PIG, o Partido da Imprensa Golpista?". Ele terá a presença de Paulo Henrique Amorim, da TV Record e do blog conversa Afiada; Laurindo leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comuicação (EB..C) e Altamiro Borges, do portal Vermelho.

No ano da conferência Nacional de comunicação, marcada para dezembro, será uma excelente oportunidade para discutir o papel da mídia na atualidade e as formas para democratizar os meios de comunicação no Brasil.
Após o debate, haverá coquetel de lançamento de dois livros publicados recentemente pela Associação Vermelho.
Comunicação Pública no Brasil, uma exigência democrática, organizado por Renata Mielli; e A Ditadura da Mídia, de Altamiro Borges.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Quinto Seminário

Teve início nesta segunda-feira, 3 de agosto, em Fortaleza, o quinto Seminário que discute a proposta do Sistema Nacional de Cultura (SNC). A abertura do evento contou com a presença de 150 convidados dentre autoridades, membros de conselhos do estado e dos municípios, além de gestores públicos e privados de Cultura.
O coordenador geral de Relações Federativas e Sociedade da Secretaria de Articulação Institucional e do SNC, João Roberto Peixe, destacou a tradição do Ceará nas políticas públicas culturais. “Aqui temos a mais antiga secretaria de Cultura do país, esse grau de institucionalidade é muito importante”, disse Peixe. “O Sistema Nacional é fundamental para o desenvolvimento da Cultura em nosso país”, discursou o secretário substituto de Articulação Institucional, Fabiano dos Santos Piúba.
O secretário da Cultura do Estado do Ceará, professor Francisco Auto Filho, cobrou dos gestores a implantação completa dos sistemas municipais de Cultura. “Temos 96 municípios que já têm o Sistema Municipal de Cultura completo. Precisamos tê-lo em todos os 184 municípios”, afirmou Auto Filho. “Dessa forma, vai haver ainda mais autonomia para a área da Cultura”, completou.
O secretário executivo da Secretaria de Cultura de Fortaleza, Márcio Caetano, apontou que “estruturar o Sistema Nacional e os sistemas estaduais de Cultura é a principal política pública do setor”.
O Seminário do Sistema Nacional de Cultura (SNC) no Ceará acontece até quarta-feira, dia 5, no Condomínio Espiritual Uirapuru (Avenida Alberto Craveiro, nº 2.222, Castelão).

Série de Seminários

O evento em Fortaleza é o quinto de uma série de seminários que será promovida até o final do mês de novembro, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, para apresentar a proposta de estruturação do SNC aos setores públicos e a sociedade civil.
No primeiro encontro, realizado em Salvador, no dia 6 de julho, participaram mais de 300 municípios, o que representa 72% dos 417 municípios do estado. Depois, em Maceió, nos dias 13 e 14, o segundo seminário contou com a participação de 85 dos 102 municípios alagoanos. No terceiro, em Recife, nos dias 17 e 18, 83% dos municípios pernambucanos estavam representados. No quarto, em Natal, nos dias 27 e 28, dos 167 municípios, metade participou.