'Roko-Loko e Adrina-Lina - Hey ho, Let's Go!'
'Roko-Loko e Adrina-Lina - Hey ho, Let's Go!' é a mais nova coletânea de quadrinhos curtos de Marcio Baraldi, publicados originalmente na revista Rock Brigade, entre 2004 e 2006. O livro - 12º da carreira - tem 50 páginas coloridas em formato grande, capa cartonada ao preço módico de R$ 10, com direito a miolo em papel couché. O lançamento é da editora GRRR!... (Gibi Raivoso, Radical e Revolucionário!, selo criado pelo próprio Baraldi) e da Rock Brigade, mas ainda traz uma página que associa a trajetória do Baraldão à editora que o apoiou durante anos: a Opera Graphica. O álbum (e os bonecos derivados da série Roko Loko) podem ser adquiridos através do endereço eletrônico http://www.idealshop.com.br/baraldi
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Dificilmente, alguém resenha um livro dele sem se referir a esse caráter marcante. O que importa ressaltar é que essa garra gera um artista que - como nenhum outro, no Brasil - vai atrás do olho-no-olho do leitor, do tal de feedback. Como não temos, ainda, no Brasil, um calendário constante de festivais onde os artistas interagem com o público, Baraldi faz de suas andanças seu próprio festival.
Mas é preciso sublinhar o Baraldi quase sempre esquecido: ele é dos raríssimos nonoartistas que já têm em casa um Prêmio Vladimir Herzog, foi o quadrinhista escolhido pela melhor revista espírita do Brasil para ilustrar o adeus a esse gigante da sensibilidade pátria que foi Chico Xavier e é autor das ilustrações de 4 livros por uma editora que é sinônimo de cuidado: a Salesiana. Dois deles são emblemáticos do humanismo que habita o coração do Baraldão: 'Cultura de Paz', que 'mostra que é possível construir a paz a partir de posturas simples' e tem a organização do CONIC e 'Geopolítica: O Mundo em Conflito', de autoria de Igor Fuser, na minha opinião, um dos mais brilhantes cérebros da geração de estudantes que reconstruíram a UNE. O biografema se completa ao registarmos que - depois de 23 anos de carreira - Baraldi bate ponto num sindicato de trabalhadores, no centro nervoso de São Paulo, sempre atento a como melhor deslindar os excessos da 'nossa' classe dominante.
A obra
Mais uma vez, Baraldi teve o cuidado (e esforço) de reunir variados depoimentos, para ajudar a situar a sua produção. Num dos textos, encontramos a comparação do editor da (saudosa) Opera Graphica, o mestre Franco de Rosa, chamando o Marcio de 'Carl Barks do quadrinho despachado'. Tomo o despachado aqui em outro e bom sentido: a do artista cujas ideias fervilham, borbulham, brotam em revoadas. Mas essas ideias são lapidadas com mão de quem conhece bem o ofício.
Para expor suas ideias únicas, Baraldi acrescenta um vasto repertório técnico. Começamos pelo mais difícil: o uso da cor. Claro, cores fortes, rock-n'roll e alegremente vistosas, mas com um senso de dosagem que não é nada comum: em momento nenhum, a explosão visual 'briga' com as estórias. O mesmo, em linhas gerais, podemos (e devemos) dizer do letreiramento, outra gama de técnicas e possibilidades que o artista usa e (não) abusa. O trabalho no item letras é completado com distinção nos títulos das HQs e nas onomatopeias. O desenho merece atenção na capacidade de variações. Olhando atentamente, há personagens inteiros que parecem não ter sido traçados pela mesma mão.
Pois bem, o Baraldi colorista, desenhista, arte-finalista e titulador se completa - mesmo - em sua essência, quando se funde com o narrador. O cara que escolhe o que (e o que não) mostrar, como, e em que ritmo. Baraldão pega situações muito particulares de um determinado grupo social e as mostra com tanta propriedade que imediatamente damos (em nossa mente, certo?) 'carne' a bandas e artistas que às vezes são apenas - para muitos leitores - referenciados em notas curtas de noticiários. Uma lição fundamental, já que o artista se propõe a divulgar o rock nacional, assume essa bandeira e nos convence de uma forma muito capaz e às vezes, insinuantemente insolerte. Cuidado com os muitos e bem aplicados 'cacos' que incluem um Napoelão doidão, velas e caveiras de todos os tamanhos e muito mais. Esses cacos ficam mesmo 'espetados' na memória...
Onde nosso artista escorrega: num ou noutro trocadilho, e, na boa, o álbum precisava ter a indicação, clara, na capa, de que não é leitura 'para crianças'. Uma sugestão é que o Baraldi tente usar mais vezes o espaço em branco em volta da ação, para alterar o ritmo (onde o fez, fez legal...), Para os muitos amigos mais fiéis, fica a sugestão de usar a página 41 (onde está a HQ de uma página só 'Eu Apóio o Metal Nacional) como poster dos rockeiros. Lá, também (aspas), 'de graça', o último quadrinho dá um excelente button...
Mas o melhor está no final, onde são publicadas tiras, quase todas, de 3 quadrinhos: as duas últimas tiras são excepcionais mostras de ritmo e originalidade. Daquelas que 'incomodam' quando a gente fica tentando imaginar o que mais inventar no formato tiras. Baraldi não só inventa como arrebenta...
Como todo bom quadrinho, Roko Loko não vai te largar quando você o depositar em sua estante. Ele vai te fazer pensar, lembrar e rir muito tempo depois...
As extensões pra frente
Não seria justo fechar sem mencionar que o Baraldi é dos caras que ajuda a classe a se ver, se fortalecer e se pensar. Ele promove premiações, entrevistas e muito mais, levantando a bola dos outros, em bem da Nona Arte, no geral, quase sempre, publicando conteúdo a respeito no site Bigorna. Não por acaso, artistas como Mozart Couto comparecem no álbum com desenhos como esse aí de cima, incluído no álbum.Ah, se todo 'marketeiro' fosse assim...



É notório também que a juventude participou intensamente em todos os grupos de debates, possibilitando a construção de políticas públicas que devem trazer mais desenvolvimento ao Brasil, como o percentual a ser destinado à cultura através do fundo social do pré-sal. A UNE, em bandeira similar, também apóia que os recursos sejam direcionados a setores estratégicos em nossa nação, como os 50% para a educação. Há ainda a proposta 83 que visa: “Criar marco regulatório (Lei Cultura Viva) que garanta que os Pontos de Cultura se tornem política de Estado, permitindo a ampliação no número de Pontos - contemplando ao menos um em cada município brasileiro e Distrito Federal-, priorizando populações em situação de vulnerabilidade social de modo a fortalecer a rede nacional dos Pontos de Cultura”.












