sábado, 29 de maio de 2010

Rede lança caderno “Direito Autoral em Debate”

A Rede pela Reforma da Lei de Direitos Autorais lançou na última quarta-feira, 26/5, durante ato público promovido no Ministério Público Federal (MPF), o o caderno “Direito Autoral em Debate”, produzido coletivamente pelas suas 20 organizações integrantes

O caderno trata das relações entre o direito autoral e os recursos educacionais, a produção artística, o acesso à cultura, as possibilidades digitais e os direitos do consumidor. Com ele, a Rede pela Reforma da LDA pretende contribuir com o debate público da legislação autoral e informar o cidadão sobre esse tema cada vez mais presente no seu cotidiano.

O ato-debate, que contou com a presença do Movimento Cineclubista, Música pra Baixar, Associação Paulista de Cineastas, O Teatro Mágico, Gpopai, Idec, CTS da FGV e o CUCA da UNE, teve como intuito exigir que o Ministério da Cultura coloque o projeto de Reforma da Lei dos Direitos Autorais (9619/98) para Consulta Pública o quanto antes, levando em consideração que trata-se de um ano eleitoral e da Copa do Mundo. Desde a demanda identificada na xx Conferência Nacional de Cultura o Ministério vem acumulando contribuições acerca da reforma da lei. Entretanto, até a data presente o texto não foi liberado pelo MinC para a consulta, para que a sociedade debata de forma ampla e transparente as mudanças que julgar necessárias acerca desse dispositivo.

Eleonora Rigotti, do CUCA, destaca a importância do tema para os estudantes e artistas, e consequentemente para o CUCA: “A interface da Lei dos Direitos Autorais com a educação e cultura, temas caros para nós, por si só justificaria a nossa participação na Rede pela Reforma da LDA. Além disso, o fato da atual legislação (não) tratar da intermediação entre os interesses de autores-produtores de conhecimento, produtos culturais e intermediários, afeta diretamente os consumidores finais, dimensão que também nos interessa, uma vez que o CUCA se propõe a se relacionar com a sociedade”.

Fernando Anitelli, da trupe O Teatro Mágico, aproveitou o espaço para refutar o rótulo de "exceção" conferido à banda, que não é vinculada a uma gravadora e disponibiliza suas músicas e vídeos gratuitamente na Internet : "Não somos uma exceção, somos uma possibilidade. A nossa música não nasce do nada, da nossa cabeça. Ela só é possível porque ouvimos outras coisas, consumimos outros produtos culturais. Festivais de música, compartilhamento de conteúdo e encontros presenciais são extremamente necessários". Fernando também externou sua opinião acerca do Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais - Ecad, o atual responsável pelo recolhimento dos direitos autorais no Brasil: "como acreditar num órgão que cobra pela execução do 'Parabéns pra você'?".

Sobre o Ecad , Claudio Prado, presidente do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital ironiza: "Nenhuma instituição que tem 300 advogados pode ser honesta". Para a Casa de Cultura Digital, a atual legislação é tão descompassada com a realidade que os professores poderiam ser acusados de formação de quadrilhas - referindo-se ao xerox, prática cotidiana nas Universidades.
Maiores informações:

http://www.reformadireitoautoral.org/

Baixe o Caderno Direito Autoral em Debate

Leia e assine a Carta pelo Acesso a Bens Culturais

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Festival Nossas Expressões, em Santa Maria

O festival Nossas Expressões chega a sua XX edição passando por manifestações e debates acerca das questões momentâneas vividas na sociedade. O festival Nossas Expressões chega a sua XX edição. Através dessas edições passou por manifestações e debates acerca das questões momentâneas vividas na sociedade. No XIX trazemos o enfrentamento cultural através do Cultura pra quê(m), colocando manifestações culturais num mesmo espaço, procurando refletir essa diversidade.

Nessa XX edição procurando seguir a mesma ideia, viemos com o tema Cultura: quem [ e o que ] produz?, trazendo a discussão dos momentos atuais da conjuntura nacional da cultura, problematizando e construindo novas alternativas de pensamento e produção.

O tema reflete de que cultura estamos falando, de como ela é produzida, quem produz e para quem ela é destinada, questionar a mercantilização da cultura expondo outros olhares. Colocando o tema central cultura livre, mídias alternativas, movimento música para baixar, redes de pontos de cultura, Economia solidária, educação, combate as opressões e outras formas de expressão como nosso objetivo principal de problematização.

Aproveitando o momento de 50 anos da UFSM procuramos resgatar os questionamentos sobre produção e utilização de conhecimento e como esses transformam a sociedade e seus contextos culturais. Acreditamos que a partir desta teremos trocas em muitos aspectos, trocas ricas em saberes já que a universidade desde seu surgimento tem um papel fundamental na sociedade de Santa Maria e região. A UFSM tem um papel historicamente importante no fomento da participação e produção no meio cultural.

Por Andressa Argenta
Coordenadora de Cultura DCE - UFSM
CUCA da UNE Santa Maria - RS
Confira aqui a programação do Festival: http://xxnossasexpressoes.blogspot.com/

terça-feira, 25 de maio de 2010

Direito Autoral em debate



A “Rede pela Reforma da Lei dos Direitos Autorais”, que reúne 20 organizações civis, realizará no dia 26 de maio, às 19h, na sede do Ministério Público Federal, em São Paulo, um ato pela abertura da consulta pública da LDA (Lei de Direitos Autorais – Lei 9.610/98).


Com a manifestação, as organizações cobram do MinC (Ministério da Cultura) a abertura imediata da consulta pública do projeto de reforma da lei atual, para que toda sociedade possa participar e discutir o assunto. O que está em questão é como assegurar o acesso ao conhecimento e a democratização da cultura, e garantir que autores estejam melhor protegidos ao assinar contratos com gravadoras e editoras.


Durante o evento, será divulgada uma carta de princípios para nortear uma nova e democrática legislação autoral. Na ocasião, será lançado o caderno Direito Autoral em Debate, produzido coletivamente pela Rede, que esclarece as relações entre o direito autoral e os recursos educacionais, a produção artística, o acesso à cultura, as possibilidades digitais e os direitos do consumidor e a Carta São Paulo pelo Acesso a Bens Culturais (leia a aqui carta)


Data: Dia 26 de maio

Horário: 19h

Local: Ministério Público Federal - auditório

Endereço: Rua Peixoto Gomide, 768, Cerqueira César, São Paulo/SP

(próx. ao metrô Trianon MASP)

Mais informações:
Guilherme Varella – IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) - (11) 8629-9727
Bianca Santana – Casa de Cultura Digital - (11) 8925-6311
Pablo Ortellado – GPOPAI (Grupo de Pesquisas sobre Políticas Públicas para o Acesso à Informação – USP Leste) - (11) 8303-6881
Mariana Tamari – Coletivo Epidemia - (11) 8456-5866


Rede pela Reforma da LDA
Rede de 20 organizações e cerca de 500 músicos, escritores, produtores culturais, cientistas e pesquisadores, com a missão de promover uma ampla discussão no processo de reforma da Lei de Direito Autoral, garantindo o acesso ao conhecimento e a democratização da cultura no país

Fazem parte da rede:

Ação Educativa
Associação Brasileira dos Estudantes de Educação à Distância
Casa da Cultura Digital
Coletivo Ciberativismo
Coletivo Epidemia
Comunidade Recursos Educacionais Abertos
CTS/FGV
CUCA da UNE – Circuito Universitário de Cultura e Arte da UNE
Gpopai/USP
GTLivro
IDEC
Instituto NUPEF
Instituto Paulo Freire
Intervozes
Laboratório da Cultura Digital
Movimento Mega Não
Música Para Baixar
Partido Pirata
Rede Livre de Compartilhamento da Cultura Digital
União Nacional dos Estudantes



Veja também:

Cortejo pela Lei Cultura Viva

Será realizada uma grande celebração cênica unindo cultura e cidadania em torno dos Pontos de Cultura, compreendendo a importância de cada uma das várias manifestações da cultura popular brasileira. Abordaremos a linha temática da historicidade dos Pontos de Cultura, seu significado político e cultural no Brasil, as fontes e matizes históricas que inspiraram e abriram caminhos para esta experiência de autonomia e protagonismo sócio cultural. Queremos expressar a ideologia do programa, pelos próprios Pontos de Cultura.


A ideia é homenagear, de público, o idealizador e executor por seis anos, do Programa Cultura Viva do MinC, Célio Turino de Miranda e lançar publicamente a campanha pela aprovação da Lei Cultura Viva mediante projeto de iniciativa popular.

Os Pontos de Cultura serão os mestres de cerimônias da noite, mas artistas de projeção nacional que apóiam a Cultura Viva terão também sua participação no Ato, ja temos a participação confirmada de artistas como: Iara Rennó, Netinho de Paula, Vitor Trindade, Nelson Triunfo, Lecy Brandão e Aliado G.

O público esperado é de mais de mil pessoas e o efeito desejado é o envolvimento intelectual e afetivo da comunidade, criando uma mágica motivadora na qual os cidadãos sintam-se cada vez mais estimulados a incentivar e participar desta Cultura Viva.
Contamos com a sua participação!


Ato pela Cultura Viva
Dia 30 de maio, domingo
Local Casa das Caldeiras, Av. Francisco Matarazzo 2000, São Paulo- SP
Horário das 16h ás 20h

Concentração do Cortejo dos Pontos de Cultura às 15hs no viaduto Antártica (Av. Matarazzo c/ a Pedro machado).

Segue o site do manifesto pela cultura viva

Programação

Cortejo dos Pontos de Cultura: Concentração às 14hs na Barra Funda e às 15hs no viaduto Antártica ( Matarazzo c/ a Pedro machado). Saída às 15h30 p/ a casa das Caldeiras, com chegada às 16hs.


16hs chegada do cortejo na Casa das caldeiras

16h30
orquestra de berimbau e fala do Movimento, Adriano representante do movimento dos Ponto de Cultura do estado de SP, vai ler o manifesto pela Cultura Viva, chamando todos a apoiar este ato.

17h ás 20hs Augusto Marin e Lucilene assumem a cerimônia, e iniciam as homenagens ao Celio e declarações de apoio ao Cultura Viva. Participação de varios artistas como: Lecy Brandão, Iara Rennó, Vitor Trindade, Nelson Triunfo, Aliado G, Netinho / (faltam confirmar: Chico César, Mautner, Jacobina, Caju e Castanha)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mais de 250 Conferências Livres do Esporte realizadas em todo Brasil

Etapas livres fazem parte do processo de organização da III Conferência Nacional do Esporte, convocada pelo governo federal para os dias 3 a 6 de junho em Brasília; objetivo será construir junto a sociedade e os poderes públicos municipais e estaduais o Plano Decenal do Esporte

O Ministério do Esporte, em parceria com o Instituto Via BR, organizará até o dia 29 de maio 250 Conferências Livres em todos os 26 estados brasileiros mais o distrito federal. O objetivo é mobilizar cerca de 90 mil pessoas, contando com a participação de toda a sociedade brasileira, representada por instituições públicas, privadas, terceiro setor, gestores, movimentos sociais e cidadãos. As etapas livres podem ser organizadas por qualquer grupo de 10 pessoas ou mais e são preparatórias para a III Conferência Nacional do Esporte, convocada pelo governo federal para acontecer entre os dias 3 e 6 de junho de 2010 em Brasília. A ideia é discutir propostas que possam ser incorporadas ao documento da III CNE, votado durante a plenária final. Informações: www.conferencialivre.org.br

“O esporte é atividade que joga papel importantíssimo na formação da juventude e do povo brasileiro. O Brasil vive e respira o esporte, componente fundamental na afirmação da identidade nacional, fator de unidade em nossa imensa diversidade cultural”, explica o ministro do Esporte Orlando Silva. “O sistema de esporte e lazer que se pretende hoje deve oferecer serviços que ampliem o acesso ao conhecimento, a vivência e a prática do esporte, em todas as dimensões”, completa.

SOBRE A III CONFERÊNCIA NACIONAL DO ESPORTE - CNE
A III CNE faz parte de um amplo processo democrático desenvolvido pelo governo federal. As conferências tem envolvido a sociedade no desenho e implementação de políticas públicas em todos os âmbitos. Já foram realizadas 68 conferências das mais diversas áreas, entre as quais cidades, saúde e assistência social, além de outras inéditas como segurança pública e comunicação.

O objetivo da III CNE é dar continuidade ao processo de ampliar a democracia participativa no país, como espaço aberto e livre para o debate, a formulação e a elaboração de propostas para o esporte e lazer como vértices do desenvolvimento nacional. Com o tema “Plano Decenal do Esporte e Lazer: 10 pontos em 10 anos para projetar o Brasil entre os 10 mais”, essa terceira edição definirá as linhas estratégicas prioritárias que buscam abranger várias áreas e impulsionar todos os índices de desenvolvimento do setor: da formação e incentivo à prática esportiva; da qualificação da gestão esportiva à modernização da infraestrutura; do fomento à ciência e tecnologia no esporte à ampliação do financiamento e desenvolvimento da cadeia produtiva.

No processo de conferência é possível estreitar o diálogo entre o poder público e a sociedade civil. Dessa forma, permite-se ao Ministério adequar as políticas de esporte e lazer às demandas sociais e também consolidá-las como políticas de Estado. Para isso, já foram realizadas diversas conferências municipais e estaduais. Essas etapas, diferente das livres, elegem delegados que vão representar as suas regiões em Brasília, durante os dias 3 a 6 de junho, quando será formatado o documento final que terá sido construído com a participação de toda a sociedade brasileira.

O QUE SÃO AS CONFERÊNCIAS LIVRES
As etapas livres possibilitam a ampliação do espaço de debate, estimulando a participação de segmentos que na maioria das vezes não participam de processos de conferência. A característica dessas etapas permite que sua realização seja proposta por qualquer segmento da sociedade civil ou do poder público, tendo que reunir no mínimo 10 participantes para ser validada. Não elegem delegados, mas suas propostas serão enviadas diretamente para a etapa nacional a fim de compor o caderno de resolução, qualificando o debate e contribuindo com o documento final da III Conferência.

COMO REALIZAR UMA CONFERÊNCIA LIVRE

Qualquer cidadão pode realizar uma conferência livre. Para isso, é necessário se cadastrar pelo e-mail conferencialivre@viabr.com.br. É importante que o responsável pela organização da conferência envie todos os dados abaixo respondidos.

Nome do responsável:
Função:
Instituição:
Endereço completo:
Telefone:
E-mail:
Data inicial da conferência:
Data final da conferência:
Local:
Horário:
Nº Participantes Previstos:

ENVIO DE RELATÓRIOS
Coletar, registrar e sistematizar as propostas de acordo com o debate ocorrido é fundamental para traduzir a riqueza e a participação social na Plenária Final da III CNE. O resultado desse debate entre a sociedade civil e o Estado é que conduzirá à finalização do Plano Decenal de Esporte e Lazer, reunindo forças políticas e sociais para apresentá-lo junto ao Congresso Nacional, e assim materializar as decisões da III CNE em lei.

Após cada etapa, os realizadores devem enviar relatório com o registro das informações (fotos e/ou lista de participantes e/ou matéria de jornal e/ou vídeo da etapa livre). Esse material é importante porque será incorporado ao documento final da conferência. O modelo do relatório será enviado por e-mail aos responsáveis assim que a organização das conferências livres confirmar a realização da etapa.

INSTITUTO VIA BR

O Instituto Via BR tem a juventude como eixo central de participação e atua em suas mais diversas esferas. É uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo criar e desenvolver ações e projetos nas áreas da cultura, educação, cidadania, trabalho, esporte, saúde e meio ambiente.

SUGESTÃO DE ENTREVISTAS
Alcides dos Anjos Leitão – Mobilizador Nacional da III Conferência Nacional do Esporte

CONTATOS E AGENDAMENTO DE ENTREVISTAS
Fumaça Corp. Jornalismo e Assessoria de Imprensa
Rafael Minoro
11 2503.1978
31 9435.1919
contato@fumacacorp.com.br

domingo, 16 de maio de 2010

Show experimenta novas linguagens em Salvador

Fruto de experimentação cênica do músico Thiago Pondé, o Projeto Atuar Música é uma performance que costura canto com poesia, mímica, circo e outros elementos cênicos na construção conceitual da figura do intérprete. No espetáculo, corpo e voz são explorados a partir da construção de imagens, revelando a música em sua dimensão cênica e fazendo do intérprete a figura central da arte do canto.


Além de intervenções de audio-visual e poéticas, o projeto conta com experimentalismo de timbres, a fusão de ritimos e a intensidade e sofisticação interpretativa. No repertório, canções de Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso e de compositores contemporâneos como João Weber e Rafael Pondé.

Para o idealizador do projeto, "o intérprete é aquele que canta uma extensa variedade de ritimos, imprimindo um tipo de co-autoria na sua criação, trabalhando a sofisticação melódica e a versatilidade de timbres vocais, além de ter uma forte presença cênica e ser norteado por construções de partituras corporais". Além de cantor, o músico-intérprete explora as possibilidades expressivas do instrumento corpo, em seu sentido visual e sonoro.

O espetáculo Atuar Música estará em cartaz nos dias 18 e 25 de maio no Teatro Sesi Rio Vermelho e 28 e 29 de julho no Teatro Vila Velha (Cabaret dos Novos), ambos na cidade de Salvador, Bahia.

Estudante de filosofia da Universidade Federal da Bahia, Thiago Pondé busca protagonizar o debate estético dentro do CUCA, como coordenador artístico do Instituto. Atualmente, além de estar em cena com o projeto Atuar Música, o músico se prepara para a gravação do seu primeiro CD oficial, em parceria com o Ponto de Cultura-Prakatum.

Pondé também integra o coletivo Fanfarra das Artes, buscando a transversalidade de linguagens transversais e o engajamento político da obra artística na realidade social. O coletivo já se apresentou no no Teatro Gamboa Nova, no II Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, no XII Encontro Nacional de Estudantes de Artes, e na VI Bienal da UNE, abrindo uma apresentação de Jorge Mautner no Teatro Vilha Velha.


Conheça o trabalho do músico e intérprete Thiago Pondé.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Com a palavra: Toni C

Toni, o blog é de projetos para o Brasil. Para o povo brasileiro. Que precisa ser incluído, não só na economia e na democracia, mas também na cultura.

Salve Walter. Satisfação ser convidado para este debate em seu blog. Se é um espaço para os que precisam ser incluídos, “então é nóis mesmo” (como agente costuma falar). Certa vez escrevi num artigo alguma coisa mais ou menos assim… “Se somos a maioria que precisa ser incluída. Por que não invertemos? Trancamos esta meia dúzia do lado de dentro e fazemos a festa do lado de fora. A festa dos excluídos! Afinal a elite só existe por conta da maioria excluída.” É uma maneira de dizer que não há saída individual para problema coletivo.

… uma elite que dá as costas a seu povo não constrói uma nação.

Bela frase Walter. Por isso estamos nós o povo construindo a Nação verde amarela, a Nação Hip-Hop, tem esse nome não é atoa.
O que quero de vc é falar sobre Brasil, juventude, cultura, hiphop, o que pensa alguém da tua geração e extração social…
Interessante você perguntar o que pensa essa juventude. Há quem acredite que a juventude de periferia não pensa. Tenho um vizinho que conhece cinema como ninguém, diz que tenho que ver Scorsese, emenda na apresentação de cineastas africanos, dizendo a filmografia a sinopse, os atores… o cara conhece tudo. Eu fico admirado com a eloquência que tem um cara como o Mano Oxi do RS. A sapiência do Jucka, um cara que mora no extremo sul da zona sul e além de rapper é professor de filosofia e para enfrentar o desinteresse dos alunos na aula dos pensadores gregos. Propôs que fizessem um rap sobre os filósofos, ai surgiu rap sobre Sócrates, Platão… Veja o Aliado G, por exemplo. Um rapper do interior de São Paulo, que não tem um diploma universitário. Já ví ele em debate engolir reitor de universidade, senador, repórter. Tem quem use essa inteligência para abrir carro forte, invadir banco sem disparar o alarme. Tudo isso para mostrar que talento nasce em qualquer lugar, o que falta é oportunidade.

Bem, então vamos lá: foto e pequena bio.

Sou Toni C. Sou DJ, produtor, escritor, publicitário, trabalho no Portal Vermelho desde sua fundação, hoje atuo na TV Vermelho. Sou também organizador dos livros Hip-Hop a Lápis e coordenador do Ponto de Cultura Hip-Hop a Lápis. Fundei e estou na direção da Nação Hip-Hop Brasil.

O Brasil está bombando nestes anos de Lula. Não só na economia, como também no orgulho nacional, Brasil está em alta. Como você sente esse problema na realidade da juventude, sobretudo na dimensão artística…

É comum agente brincar que é cada vez mais difícil fazer movimento social. Agente marca reunião e um não vem por que está trabalhando, outro por que entrou na faculdade pelo prouni… e a culpa é desse governo Lula.

Agora na dimensão artística como chamou. Vejo dois movimentos antagônicos. O primeiro são as ações dos Pontos de Cultura, revolução cultural nos grupos de cultura popular. Poderíamos falar só sobre isto, mas basta dizer que fomos parar nas páginas do New York Times, falando do nosso Ponto de Cultura Hip-Hop a Lápis. Célio Turino quando me encontrou falou que foi a primeira vez que uma ação do governo Lula aparecia no jornal de modo positivo. De lá pra cá o barbudo aparece na imprensa internacional de modo positivo todo momento.

A segunda questão aprendi com Malena, líder do grupo feminino da argentina Actitude Maria Marta. Que se apresentou no 3º Encontro Nacional da Nação Hip-Hop Brasil que fizemos em São Vicente no começo do ano. Para Malena não é só no Brasil, mas a América Latina passa por uma onda de governos mais populares e progressistas. No entanto a cultura não tem evoluído ainda a altura.

Boa essa, é verdade. América Latina está em alta, enquanto a velha Europa é cada vez mais velha e conservadora. Agora, mestre, você é um produtor cultural popular, da nação hiphop, que marca a cena cultural da periferia. Desde o surgimento disto (do qual você participou) como você vê a evolução do movimento?

No movimento hip-hop não é muito diferente da questão anterior. Do ponto de vista cultural e artístico o mercado fonográfico está fadado à falência. Enfrentamos uma fase complicada, por diversos motivos, um dos principais é a perseguição e boicote desse governo Demo-Tucano em São Paulo. Estamos às vésperas de mais uma Virada Cultural, é só ver o histórico que essa gente tem conosco.

Por outro lado, na questão política e reconhecimento institucional. Nunca houve tanto reconhecimento, com alguns membros do movimento eleitos parlamentares em suas regiões, participação de assento no Conselho Nacional de Juventude desde sua fundação. Até mesmo editais específicos para o movimento como o Prêmio Preto Ghóez com 1,7 milhões para o hip-hop.

Agora sobre a Nação Hip-Hop, vou me dando conta que é a maior concentração de Notório Saber da periferia, são os intelectuais da rua e de quebra a maior entidade de hip-hop do mundo.

Você está se aventurando em TV na internet? Você é da equipe de Vermelho, é isso?

Como nas respostas anteriores parece contradição, né!? É a tal dialética, não é isso? Foi publicado na edição 7 da revista Juventude.BR do Centro de Estudos e Memória da Juventude – CEMJ, um artigo de minha autoria no qual me referenciei na teoria da Outra Globalização Possível do geógrafo Milton Santos. Ele diz que a revolução virá dos de baixo. Construída com a sucata tecnológica da burguesia. Segundo ele a juventude periférica tem mais facilidade para assimilar e acompanhar as inovações tecnológica. Eu produzir vídeos na TV Vermelho é uma mostra disso, as rádios comunitárias é outra mostra. Whyte Jay à frente dum programa de hip-hop na TVE-RS e o Hot Black (Ganso) no programa Periferia agora em rede nacional pela TV Brasil são outros exemplos. “Agente se vê por aqui” é o slogan da maior emissora do país. Como agente não se vê. Criamos nossos próprios meios.

Vamos fazer agora um intervalo cultural? Já que falei de um geógrafo, aqui vai o clip do Grupo Inquérito do parceiro Renan, formado em geografia na UNICAMP. Vejam que genial, Mister M.

:

Você sente a juventude mais politizada? Participante do processo político? Prouni e Reuni foram importantes para isso, não?

Essa juventude espalhada pelas periferias está mais preparada para enfrentar o debate político em todas as esferas. Para dar um único exemplo, basta ver na eleição anterior: houve mais de 30 candidaturas do movimento hip-hop em todo país.

Dilma ou Serra? Por que?

Ah! essa é fácil, responderia com os versos do Zeca Pagodinho: “Deixa a Dilma me levar. Dilma leva eu…” Mas como é sempre bom argumentar. Não vou responder pois não sou a voz da periferia, mas conheço um cara que é e faço minhas as palavras dele. Com vocês Mano Brown:


Fale sobre o livro Hip-Hop a Lápis – Literatura do Oprimido? Esta é a segunda publicação…

O livro acaba de sair com um conceito herdado de Paulo Freire. Por isso literatura do Oprimido. Hoje é fácil ser otimista. Mas mesmo nos piores temores da década de 90. No auge do neoliberalismo, com FHC privatizando tudo, desemprego… Na academia se dizia que a história havia acabado, que não existiam mais conflitos, o fim da luta de classes e toda essa conceituação pós-modernista do multiculturalismo e tudo mais. Nas periferias já havia como ainda tem um outro discurso, uma outra atitude. Quando acaba o gás num barraco o vizinho empresta o dele. A comunidade se junta de madrugada para encher a laje e assim vai saindo mais um puxadinho… Tem um verso de um músico que começa assim: “Acharam que eu estava derrotado. Quem achou estava errado.” Isto foi escrito por Dexter preso no Carandirú e ele está preso até hoje. É uma história auto-biográfica, mas é também a história de um torneiro mecânico que perdeu um dedo, mas ganhou a presidência da república na quarta tentativa e se tornou “o cara”, o homem mais influente do mundo. É a história do povo brasileiro, tão sofrido, mas sorri. E isto tudo influência na música, na política, nas artes plásticas, na dança, na arquitetura e na literatura. Se eles estão vivendo no pós-modernismo, nós vivemos uma outra era, que eu chamo de hip-hop. Essas e outras histórias é a literatura do Oprimido. Um livro que tem mais escritores que a Academia Brasileira de Letras. Estamos fazendo história e história não morre, jamais.

“Do grafite quebrado dentro do lápis, na mão calejada, saem com medo, trêmulas, as primeiras palavras. Até o mais valioso dos diamantes brilhando na vitrine, tudo é carbono.
Segundo um senhor simples, de feições serenas, olhar morno, gestos lentos e rosto enrugado. Ao ver a agilidade da rima, a flexibilidade da dança, as cores da pintura em spray e o som alto dos toca discos. Falou de forma pausada, na sagacidade de sua sabedoria: “O hip-hop é o diamante bruto que deve ser lapidado pelos revolucionários”, João Amazonas.
Ainda há tempo. A literatura do Oprimido, definitivamente, não serve para narrar o mundo, mas sim para transformá-lo!” (Trecho do livro Hip-Hop a Lápis – Literatura do Oprimido.)

E como você entrou no PCdoB?

Eu já militava na UJS em Carapicuíba onde moro e era sempre enquadrado por algum dirigente para me filiar no PCdoB. No geral via partidos como time de futebol, pode haver um jogador bom num time ruim, ou no time adversário. E dizia isto, que não via sentido em torcer sempre para o time vermelho ou o azul. Poderia atuar politicamente sem vestir camisa de partido algum. Eu não era contra arguentado ha contento. E foi Jorge Amado que me filiou neste partido. Foi necessário ler Os Subterrâneos da Liberdade para conhecer um pouco do histórico, mas também da prática e postura do Partido Comunista. Aí que vi que pode ter jogador bom, mas time revolucionário é o Partido do povo, como dizem os camaradas do Partido da classe operária. Nem precisei ler a trilogia completa.

Mestre, queria isso mesmo da entrevista: algo por esse rumo para não deixá-lo muito encucado não.

Legal você dizer que não precisa ficar educado. Tá aí uma coisa que não sou, “educado”. Tem uma introdução de uma música antiga assim: “Em meu país dizer a verdade é falta de educação.”

Pra continuar sendo mal educado, Walter, deixa eu contar uma coisa que me impressionou muito. Foi em 2008 em Atibaia no curso de formação do Partido. Quando você apresentou o conceito de política de quadros. Você dizia que não é necessário a pessoa abdicar da vida para militar no Partido. Que não é necessário a pessoa abandonar a família, os projetos pessoais, o estudo, a formação pessoal, etc. Para a pessoa exclusivisar a atuação política.
E para cada uma dessas coisas eu pensava comigo: – Não!?Pois é! Aquilo me soou tão novo…

Já disse a você que discordo do nome “política de quadros”, pra mim “quadro” é justamente o oposto disso. Não consigo ver de outra forma. Aquele que consegue conciliar a família, realizações pessoais, estudos, com as tarefas partidárias, não é um quadro, é um revolucionário. Temos que ter política para estes.
Ah! agora ví que falou “encucado”, e eu aqui todo mau educado (risos).


Gostei da conversa e quem quiser continuar a troca de idéias, pode seguir no www.vermelho.org.br/hiphop ou ainda me contactar pelo toni@vermelho.org.br .

Vamos fazer um sorteio Walter? O primeiro que mandar um comentário pelo blog sobre esta nossa conversa ganha o novo livro Hip-Hop a Lápis a Literatura do Oprimido. Eu providencio o livro e você a correspondência para o internauta, ok?

Cara, adorei. A irreverência é o sinal de consciência crítica. Isso não falta a vocês da nação. Olhe, se puder, mande músicas da turma que eu ponho no meu blog. E se puder ajudar mande o Aliado enviar algo, nem que seja poesia dele, já que essa é a linguagem que ele mais domina (ao que parece). Eu ponho até poesia dele – ou então música! Abração a vocês.

Pra incentivar o Aliado a participar, mando um vídeo produzido a partir de seus versos http://www.youtube.com/watch?v=RPCzDCN5hIs

T+. TC.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Rio realiza ato-cultural pelo Plano Nacional dos Direito Humanos

O Movimento Rio Pró-Confecom convida todos os defensores da democratização da comunicação e a população em geral para
 participar do ato-cultural pela implementação do Plano Nacional de Direitos Humanos. 

A manifestação acontece nessa quinta, 13 de maio, a partir das 16h, na Praça XV, próximo à entrada das barcas, no Centro do Rio. A atividade exige a execução do Plano, em especial, da diretriz 22 que propõe a “garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para consolidação de uma cultura em Direitos Humanos”. Durante a programação serão exibidos vídeos independentes e contestadores da concentração da comunicação, como o ‘Levante sua voz’, produzido pelo coletivo Intervozes.

O PNDH3 vem sofrendo uma forte perseguição de setores conservadores e da mídia comercial. Uma dos motivos que eles apresentam para tantos ataques é a dita defesa da liberdade de imprensa. Sabemos muito bem o papel dos grandes veículos de comunicação na sustentação do regime militar no Brasil. Agora querem se propagar os defensores da liberdade de expressão?! Por isso, convocamos a população a se mobilizar e exigir do Governo Federal e do Congresso uma postura firme na implementação completa do Plano que nasce do acúmulo dos movimentos em defesa dos direitos humanos.

O ‘Levante sua voz’, que será projetado em plena Praça XV, faz um retrato da concentração dos meios de comunicação existente no Brasil. Em menos de 20 minutos, ele remonta o curta Ilha das Flores, de Jorge Furtado com a temática do direito à comunicação. 
Com um roteiro instigante e um belo trabalho de edição, o vídeo dirigido por Pedro Ekman é uma programação imperdível.




Divulgue e participe!

Ato-cultural pela implementação do Plano Nacional de Direitos Humanos

Pela “garantia do direito à comunicação democrática e ao acesso à informação para consolidação de uma cultura em Direitos Humanos” (diretriz 22 do PNDH3)

Quinta, 13 de maio, a partir das 16h, na Praça XV, próximo à entrada das barcas



Mais informações sobre o movimento de comunicação do Rio: