quarta-feira, 22 de outubro de 2008

André Gomes: Pintar a universidade de periferia por Especial Hip-Hop*

Já faz uma cota que to prá escrever este artigo, desisti algumas vezes devido algumas adversidades, mas como pra nós, tudo é com muita luta, superamos as dificuldades e cá estamos, como dizia o finado e saudoso Wellington Alemão indo pras cabeças.

Começo lembrando um diálogo que tive com Paulinho Loco em dezembro do ano passado, nos bastidores do grito da consciência negra, atividade que já realizamos pelo segundo ano consecutivo e em breve vamos inclui-lá no calendário oficial do município, o projeto já está tramitando na Câmara municipal de Marília.

Mas a idéia aqui não é falar deste evento, por isso vamos retornar ao diálogo com o Paulinho.

- E ai André, como é que tá muleque monstro!?- Firmão Paulinho, sempre na correria mano, trampando igual loco. Mas que nada, assim que é bom não é não parceiro? Ficar moscando é que não vira.- Isso mesmo, ai, fala lá praquele gordão (Aliado G), que se ele não vim na minha formatura o barato vai ficar loco.

Eu já ia perguntar como estava a faculdade, mas o maluco se adiantou.- Vixe mano to no segundo ano do baguio, Paulinho psicótico, vai virar Paulinho psicólogo.- Ó irmão, mó alegria, tinha certeza que você ia comandar guerreiro.- É, mas o barato tá loco mano, to sem grana pra fazer a matricula, mas que nada, vou fazer uns corre ai, negociar com os caras lá e vou estudar de qualquer jeito.- Isso mesmo mano, é nóis na universidade guerreiro, eu, o Thiago, o Luciano e uma pá de guerreiro e guerreira da quebrada estão prestando o vestibular, a Luciana hippie já ta lá na Fatec, o Markito na Unesp, vai vendo ó truta.- Mó satisfação André, vamos curtir esse evento ai que os manos da capoeira já estão organizando a roda ali na rua.

Logo o Paulinho Loco mano, teve uma pá de gente que não acreditou, nós acreditamos sempre e continuamos acreditando, logo ele vira o psicólogo da quebrada.

O resultado do vestibular da Unesp saiu agora em fevereiro, fiquei muito feliz em ter passado e tenho certeza que vou viver intensamente a universidade e o que adquirir por lá estará a serviço da luta do povo da periferia.

O Thiagão não passou, mas o moleque é novo e tem bastante tempo ainda, ano que vem ele passa, o Luciano tragédia também não passou e esse fato me desmotivou inclusive a escrever este artigo.

Não porque tenha sido uma derrota, até porque o maluco se dedica igual loco a militância e nem estudou o tanto que poderia, mas alguns dias depois chega a notícia, segunda chamada do prouni, ó o guerreiro lá na Unimar fazendo comunicação social.

Há dois anos atrás, intensificamos o debate sobre o acesso a universidade, por enquanto só da Nação Hip-Hop já são quatro lá, sendo que três deles na universidade pública.

Podemos não ser modelo de organização e ter nossas inúmeras dificuldades, mas nossa participação tem contribuído para politizar e potencializar o movimento Hip-Hop local, nunca querendo descaracterizá-lo e sim sempre reforçando seu caráter revolucionário.

Precisamos insistir neste debate e sempre divulgar seus resultados, cada um de nós que entra na universidade é um guerreiro armado de idéias a mais pra somar na nossa luta.

Vamos pintar a universidade de periferia e pintar a periferia de sociólogos, psicólogos, publicitários, jornalistas, engenheiros, etc.

A luta pelo acesso a universidade é uma luta também do hip-hop, afinal somos nós os principais interessados em que elas sejam acessíveis.

André Gomes, estudante de graduação em ciências sociais na Unesp/Marília e dirigente nacional da Nação Hip-Hop Brasil.
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